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O Eclesiastes destaca a supremacia de
Deus, acima de tudo. Deus criou o homem (7.29) e deu ele o tempo (9.11). Esse tempo se divide em passado,
presente e futuro. A administração temporal cabe, parcialmente ao homem, até o momento em que Deus lhe toma esse controle.
Nesse tempo se situa a vida do homem. O seu desafio é descobrir o melhor a se fazer de modo a se aproveitar
bem esse tempo (2.3). Salomão observou, experimentou e descreveu tudo o que o homem faz em seu tempo de vida. Em todo esse
processo ele procurou descobrir o que traria ao homem maior satisfação, enfim, a felicidade. A palavra "Deus" aparece em 33
versículos do livro. "Tempo" aparece em 19 versículos. A palavra "homem" é mencionada em 47 versos. Essa freqüência nos faz
notar a importância desses termos na análise existencial proposta pelo autor.
Salomão então cita as ocupações humanas,
seus interesses e os alvos dos seus esforços no período chamado vida e localizado cosmicamente debaixo do sol ou debaixo do
céu. Fala então de conhecimento, sabedoria, trabalho, dinheiro, bens, riqueza, comida, bebida, relacionamentos, alegria, prazer,
pecado, sofrimento e religião. Tais assuntos ocorrem diversas vezes e se entrelaçam no decorrer dos capítulos de Eclesiastes.
Colocados nessa ordem que escolhemos, percebemos que existe uma relação natural entre esses elementos, o que não significa
a sua realidade plena na vida de todas as pessoas. Assim, o conhecimento possibilita o trabalho, que, por sua vez trará o
dinheiro. Este se incumbe de trazer os bens, a comida, a bebida e, eventualmente, a riqueza. Havendo suprimento das necessidades
básicas, já podem ser assumidos relacionamentos, os quais são apresentados por Salomão como questão importante na vida humana.
Tudo isso, em conjunto, deveria proporcionar o prazer e a alegria para o ser humano e muitas vezes proporciona de fato. Contudo,
Salomão observa que o pecado e o sofrimento também fazem parte da vida humana. O sofrimento surge de várias fontes. O próprio
prazer, quando se torna escravidão, traz o sofrimento como conseqüência. E mesmo em suas formas mais legítimas, o prazer tem
um fim e em seu lugar se instala novamente o sofrimento. Olhando pelo lado positivo, em algumas situações o sofrimento produz
crescimento. Logo, sua completa supressão, se fosse possível, seria também prejudicial.
O pecado contamina a existência humana
(9.18), que poderia ser tão maravilhosa. O sofrimento, como conseqüência do pecado, acaba também se tornando um dos motivos
que conduzem o homem à prática religiosa. Ao falar da religião (5.1), o autor não a trata como fim em si mesma, como solução
para os problemas observados. Até na casa de Deus encontra-se o tolo fazendo o seu sacrifício. Nota-se, portanto, a religiosidade
humana contaminada pelo seu pecado.
Com todas as possibilidades de sofrimento,
será que o homem poderá encontrar felicidade entregando-se à sua busca pelo prazer e pela alegria? Talvez fosse então aconselhável
que o homem se dedicasse única e exclusivamente aos objetos do seu deleite: a comida, a bebida e os relacionamentos. A certa
altura da sua exposição, Salomão nos indica esse caminho (2.24). Parece então que a busca excessiva pelos prazeres do corpo
e pelas posses materiais possam constituir a justificativa suficiente para a vida humana. Em um primeiro momento, pensa-se
na vida e em seus valores de forma positiva: construir muito, aproveitar tudo e possuir o máximo. Depois de mencionar tantas
coisas positivas da vida humana, Salomão coloca em destaque a morte. Esta surge então como uma ameaça contra todas
as conquistas humanas e valores da vida. Diante dessa realidade, tudo passa a ser visto como coisa vã. Daí vem a máxima: "Tudo
é vaidade." Tal afirmação indica que nada tem valor nem sentido. Tudo o que for conquistado será perdido. Tudo o que for aprendido
será esquecido (9.5). Tudo o que se conseguiu ser será aniquilado. Esta parece ser uma conclusão desesperada de alguém que
se depara com a morte. Diante desse fato previsível e certo, todas as ocupações humanas, bem como suas conquistas, têm de
ser reavaliadas. O tolo, "personagem" muito mencionado em Provérbios e Eclesiastes, vive o presente e ignora o futuro. Esta
atitude pode afetá-lo de tal forma que venha a ser negligente em relação ao trabalho, aos estudos e aos projetos em geral.
A sabedoria nos leva a considerar o futuro. Cabe lembrar aqui o que Cristo ensinou condenando a ansiedade pelo dia de amanhã
(Mt.6.34), mas valorizando o planejamento (Lc.14.38-32).
Além do fato futuro da morte, devemos
considerar também a eternidade que nos aguarda no futuro. Salomão faz então essas considerações. Muitas coisas que
pareciam valer a pena, perdem seu valor quando confrontadas com a morte. Outras, se desvanecem quando confrontadas com a eternidade.
Salomão toca nesse ponto quando fala do retorno do espírito para Deus (12.7) e também do futuro juízo divino sobre as obras
humanas (12.14). Eis então completo o plano de confronto: a vida, a morte e a eternidade. Para que se tenha então uma perspectiva
correta da existência, deve-se considerar tudo isso. Diante do peso de tão grande ponderação, o autor tece suas conclusões,
onde se destaca a necessidade que o homem tem de se lembrar do Criador e o seu dever de temê-lo e obedecer os seus mandamentos.
Vemos então que o Eclesiastes tem uma
linha de desenvolvimento que vai do natural ao espiritual. A maior parte de suas colocações se refere ao que é terreno, o
que está debaixo do sol. Dentro desse limite tudo é vaidade. Na busca pelo que atende ao corpo, tem-se como conseqüência a
aflição do espírito. Contudo, o livro vai elevando sua análise rumo ao que é eterno. Ao tratar especificamente dessa parte,
o autor já não diz que é vaidade. Não é vaidade lembrar do criador, temer e guardar os mandamentos.
A Preciosidade do tempo
O tempo se divide entre passado, presente
e futuro, ou podemos vê-lo como o tempo da vida, o tempo da morte e a eternidade. Muitos problemas surgem
pelo erro na administração do tempo. O foco exagerado em alguma dessas divisões pode trazer conseqüências prejudiciais. Quem
vive de recordações não aproveita o presente. O mesmo acontece com quem é dominado pela ansiedade ou preocupação com o futuro.
Perde-se então o hoje e antecipa-se o sofrimento de amanhã que, em muitos casos pode ser apenas uma ilusão que não irá se
concretizar. Não se pode pensar apenas na vida como se a morte não existisse. Também não é prudente o foco na morte a ponto
de se perder a motivação pela vida. Outro extremo é a dedicação exclusiva às questões relativas à eternidade, tais como práticas
espirituais ou religiosas, a tal ponto de se negligenciar o suprimento das necessidades naturais. Há necessidade de equilíbrio
do foco no tempo. Qual é o ponto de equilíbrio? É uma questão a ser definida pela sabedoria.
O que acontece na maioria das vezes é
que o homem fica preso no âmbito da vida, desconsidera a morte e a eternidade e poderá ser apanhado desprevenido
pelos últimos tempos, sejam estes universais ou pessoais. Jesus alertou seus discípulos acerca dos "cuidados desta vida",
que consistem no atendimento às necessidades e desejos humanos, mas que podem constituir laço caso se tornem tão prioritários
que venham a tomar o lugar dos cuidados espirituais. Assim, a busca do necessário pode se tornar prejudicial quando obscurece
os valores eternos (Lc.21.34). Foi o que aconteceu nos dias de Noé: comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento. Noé
entrou na arca e o povo não percebeu até que o dilúvio caiu sobre eles (Mt.24.38-39). O que importava era apenas o presente,
apenas os interesses do corpo, apenas a vida em seu momento imediato.
Reflexão diante da morte
No capítulo 2 de Eclesiastes, está o relato
das grandes conquistas, experiências e realizações de Salomão. Nesse processo, certamente há que se perceber
o inegável prazer de todas aquelas aquisições, fartura e conforto. Entretanto, ao se confrontar com a realidade da morte,
Salomão, num primeiro momento desvaloriza todas as coisas e afirma que tudo é vaidade (2.14-18). Ele chega a aborrecer todo
o seu trabalho e até a própria vida. Percebe-se então a amargura do confronto com o fim inevitável da vida terrena. É um momento
de choque. Sob esta perspectiva, tudo passa a ser visto de modo crítico e destrutivo. Já que iremos morrer, o que vale a pena
ser vivido? A primeira resposta é: nada vale a pena. Tudo é vaidade. Tudo está condenado.
Mais adiante, o autor de Eclesiastes já
não parece tão amargurado. Então, ele retoma a valorização de muitas coisas e fatos terrenos. Agora, porém, de modo mais comedido,
moderado. Vamos jogar fora a vida por causa da morte? Vamos perder a vida antecipadamente abrindo mão de tudo que podemos
usufruir? De modo nenhum. Afinal, se temos algo nesta vida, isto é dom de Deus e deve ser usufruído, mesmo sendo transitório
(Ec.2.24; 5.19). Contudo, já não se observa todo aquele ímpeto de busca que se viu no capítulo 2.3-10. Vamos, sim, valorizar
a comida, a bebida, o trabalho, os bens, mas sem os extremos anteriores, já que se tem em mente a morte como obstáculo intransponível
e limite decisivo contra as grandes realizações do homem.
A realidade da morte deverá ser confrontada
com nossos atos, atitudes, tratamentos interpessoais, sentimentos, etc., afim de se determinar o que vale a pena e o que não
vale.
Algumas coisas valem a pena por causa
da vida em si: comer, beber, usufruir dos bens na companhia de quem se ama.
Considerando a questão da morte, constatamos que algumas coisas da vida deixam de valer a pena: Acúmulo de riquezas, excesso de trabalho,
excesso de estudo, atitude de orgulho, etc. A morte coloca os seres humanos em condição de igualdade, anulando todos os privilégios
naturais, diferenças culturais, econômicas, sociais, etc. "Como morre o sábio, morre o tolo." (Ec.2.16). Sendo assim, o orgulho,
a soberba, e o tratamento de desprezo para com o próximo, são atitudes que não se justificam. Perdem totalmente o sentido
quando se pensa na morte e seu significado.
A moderação torna-se palavra de ordem.
Já que a morte é uma realidade, o mais sensato é que o homem adquira apenas o que puder usufruir. Até a sobra que se deixa
como herança é vista negativamente por Salomão (2.21). Da mesma forma, o trabalho deve ser feito conforme as forças (9.10)
e o estudo demasiado poderá se tornar apenas enfado (12.12). Contudo, tais palavras não devem ser usadas como justificativa
para a preguiça e a negligência, pois a atitude passiva de cruzar os braços é própria do tolo (4.5). O que se busca em tudo
isso é o equilíbrio, que será produto exclusivo da sabedoria. Moderação é prudência; Preguiça é tolice. Nosso desafio é sempre
distinguir entre esses elementos nas mais diversas áreas da nossa vida.
Considerando a eternidade, cuja consciência
foi gravada por Deus no coração humano (3.11), passamos a detectar outras coisas que deixam de valer a pena na vida: os excessos
e o pecado, sendo que ambos estão muitas vezes relacionados. Por outro lado, o autor diz o que vale a pena em função da eternidade:
lembrar do Criador, temê-lo e obedecer aos seus mandamentos.
Onde está o limite?
Esta é uma pergunta importante para que
se saiba até onde ir nas buscas, conquistas e realizações. Contudo, uma pergunta sem resposta. Muitos limites estão estabelecidos
pelas leis, mas estas não conseguem abranger a infinita variedade que envolve a ação humana e os detalhes da vida. E mesmo
nas situações previstas em lei, a variação de aspectos é tão grande e freqüente que justificam a presença dos intérpretes
para definir a correta aplicação dos dispositivos legais. Desse modo, a sabedoria é superior à lei pois se aplica a toda e
qualquer situação. Em cada instante, em cada caso específico, só a sabedoria poderá definir com precisão o limite para as
ações humanas.
Por exemplo, vimos que o acúmulo de bens não
se justifica diante da morte. Entretanto, qual é o limite para esse acúmulo? O que é riqueza? Não existe um parâmetro numérico
definido para que se determine o que seja o ponto que separa a pobreza da riqueza. A dificuldade é tão grande que já se "criou"
uma classe média entre as duas posições. E o problema não está resolvido. Sentiu-se então a necessidade de se dividir em classe
média baixa e classe média alta. E onde está o ponto divisório entre ambas? Não se sabe. Portanto, está demonstrada a necessidade
que cada um tem de possuir a sabedoria, de modo que possa definir em sua própria vida os limites para suas buscas, conquistas
e realizações
Visão cosmológica – Ao invés de ver positivamente o universo e seus fenômenos, o autor faz uma observação crítica de tudo isso,
destacando a rotina da natureza, o que, a seu ver, é algo enfadonho e monótono.
Antropologia – (Antropos = homem) – Nessa parte, Salomão se dedica a descrever as experiências humanas, inclusive as
suas próprias, buscando determinar o que possa ser melhor para o homem durante seu tempo de vida.
Crítica social I – Depois de analisar diversas questões do homem, o autor passa a abordar as relações humanas com o próximo (4.4),
desde o simples companheirismo (4.10), passando pelos laços familiares (4.8,11) até às relações de autoridade. Salomão valoriza
a convivência (4.9) mas destaca as ocorrências de impiedade (3.16), opressão (4.1), lágrimas (4.1), e inveja (4.4). Observa
ainda a ausência do juízo (3.16) e do consolo para os oprimidos (4.1). Diante de tal quadro, chega a ver positivamente a morte
como um tipo de livramento (4.2). Em meio a todos os problemas do convívio social, Salomão conclui que pior será a situação
daquele que estiver só (4.8-11).
Crítica religiosa – Nessa parte é analisada a relação do homem com Deus. Até nesse momento é observada a tolice (5.1) e o erro
humano (5.6). O que deveria ser puro e santo também corre o risco de contaminação pelo pecado. É o caso do sacrifício do tolo,
sua precipitação diante de Deus e os votos não cumpridos.
Crítica social II – É bem comum no Eclesiastes o retorno aos assuntos já tratados. O autor volta então a observar as questões sociais.
Vê a opressão e a violência no lugar da justiça. Contempla a riqueza e a pobreza, embora o proveito da terra deva ser para
todos (5.9). Procura mostrar algo de bom na vida do pobre: seu sono tranqüilo (5.12) e apresenta aspectos negativos na vida
do rico: sua insaciável busca pelo dinheiro (5.10), sua falta de tranqüilidade (5.12), a perda dos bens (5.14), e o caso do
rico que não pode comer da sua fartura (6.2).
Ideologia – O autor apresenta idéias sobre a administração da vida, comparando coisas (7.27) e apontando qual é a melhor
(7.1-3). A busca do equilíbrio é incentivada (7.14-17). A obediência à autoridade pública é aconselhada (8.2). A questão da
aparente injustiça da vida é explorada (8.11). Novamente se retoma o tema da morte (8.8; 9.5) e das alegrias que podem ser
alcançadas em vida (8.15).
Conclusões éticas – A ética envolve questões morais do comportamento, escolhas entre o bem e o mal. Depois de tantas análises da
vida, o autor expõe suas conclusões. Novamente enfatiza o valor dos prazeres da vida (9.7-9) aliados a um trabalho sem excessos
(9.10). Adverte contra os danos causados pelo pecado e valoriza a sabedoria (9.18). Faz então uma série de advertências em
forma de provérbios (10). Finaliza com incentivo ao gozo da vida, mas lembra a prestação de contas (11.9). Termina essa parte
incentivando o jovem a lembrar-se do Criador antes que venham a velhice e a morte e o juízo (12.1-7,14).
O
bem e o mal
O autor de Eclesiastes tem uma grande
preocupação em relação ao bem e ao mal. Verificamos isso ao buscar no texto essas palavras e suas derivadas. O mal vai sendo
detectado em quase tudo, a começar do coração humano. Mas nem tudo está perdido. Salomão identifica o bem em muitos aspectos
da vida. Cabe a cada um a escolha. O autor se aplica a comparar várias coisas em busca do que é melhor. Chega
ao ponto de mencionar a excelência da sabedoria. Nosso desafio é evitar o mal, buscar o bem, alcançar o melhor e o excelente.
Vejamos as ocorrências dos termos relacionados
ao assunto:
Mal - 5.1,13,14,16; 6.1-3; 8.5-6; 9.3;
10.5; 11.2,10.
Maldade - 7.15; 9.3.
Maltratado - 10.9.
Amaldiçoar - 7.21-22; 10.20.
Mau - 9.2; 10.1; 12.1; 9.12.
Má - 4.3; 8.3; 8.11-12.
Bem - 2.24; 3.12,13; 4.8; 6.6; 7.14,20;
8.12,13.
Bom - 2.26; 6.12; 7.18; 7.26; 9.2; 9.7.
Boa - 5.18; 7.11; 11.6.
Melhor 2.3; 2.24; 3.12; 3.22; 4.3,6,9,13;
5.5; 6.3,9; 7.1,2,3,5,8,10; 8.15; 9.4; 9.16; 9.18.
Excelente - 2.13; 7.12.
Vejamos também alguns texto fora do Eclesiastes
que mencionam o termo "excelente": Pv.8.6; Ec.2.13; Ct.4.16; Rm.2.18; Fil.1.10; I Cor. 12.31. Não se acomode no nível do que
é bom.
Algumas considerações:
A) 5.1 – "... pois não sabem
que fazem mal." Um dos fatores que catalisam o crescimento do mal é a ignorância. A bíblia nos foi dada para que possamos
adquirir o conhecimento necessário para se identificar o mal em suas diversas formas afim de que o evitemos.
B) Ao mencionar o mal Salomão não falou
sobre Satanás. Sua ação no Velho Testamento não era bem identificada. Por exemplo, no livro de Jó: Depois que Satanás destruiu
tudo o que aquele homem possuía, sua conclusão foi: "Deus deu, Deus tomou." Ele atribuía tudo a Deus. Isso não está absolutamente
errado, já que Deus tem o controle final de todas as coisas. Porém, Jó não percebeu a mão de Satanás nesse processo.
C) O que é bom torna-se mau quando passa
a ocupar o lugar de Deus em nossas vidas (idolatria), (amor ao dinheiro 5.10); quando ocupa o lugar da espiritualidade (exemplo:
trabalho no lugar do culto). A serpente de bronze que Moisés fez tornou-se um ídolo e precisou ser destruída (II Rs.18.4).
Muitas coisas tornam-se más quando são feitas no tempo errado ou da maneira errada. Exemplo: arrancar uma planta que não cresceu
ou colher um fruto que não amadureceu. Ec.10.16-17 (tempo e modo) 8.6. O modo de se fazer as coisas é, em muitos casos, o
fator diferenciador entre o sucesso e o fracasso. Muitas pessoas falam verdades de modo ofensivo e depois se justificam dizendo
que são "francas". São palavras certas ditas da maneira errada. Assim, palavras boas surtem um efeito mau.
D) Tudo é bom enquanto for justo, enquanto
não for vergonhoso. (A própria consciência identifica isso com alguma eficiência. O problema é que a consciência pode ser
condicionada e se tornar ineficiente.) Tudo é bom enquanto não causar escândalo. Vejamos uma lista de considerações pertinentes
a essa questão em Filipenses 4.8.
Desejo x cobiça
A preocupação ética do Eclesiastes
poderia ser resumida em se buscar o bem e evitar o mal. Porém, a definição do limite entre esses elementos nem sempre é fácil.
Como foi observado por Salomão, o homem precisa de comida, bebida, trabalho, dinheiro, relacionamentos, alegria, prazer, etc.
Em suas buscas, conquistas e realizações, o ser humano vai avançando numa direção que passa pelos domínios do bem e pode acabar
alcançando o espaço do mal. Mas como se identifica a linha divisória entre as duas coisas? Podemos ver também nesse movimento
uma passagem pelos domínios da sabedoria, da tolice e da loucura. Para ilustrar, vamos pensar na velocidade desenvolvida por
um automóvel. Só para termos uma idéia, consideremos que até aos 80 quilômetros por hora estaríamos nos limites da sabedoria.
Atingindo os 120, isso seria tolice. Ao chegarmos aos 180, teríamos alcançado a loucura. Assim acontece em várias
ações humanas. Contudo, não existe um velocímetro na vida para determinar em que ponto estamos. A lei determina alguns limites,
mas não todos, principalmente para coisas que são boas e aparentemente inofensivas. Uma faca não é boa nem má, mas o seu uso
vai determinar essa característica. Desse modo, muitas coisas boas podem se tornar más devido a vários fatores. Em I Coríntios
10, Paulo fala que os judeus "cobiçaram as coisas más". Que coisas eram essas? Comida, bebida e diversão. Isso não é originalmente
mau. A maldade está então na cobiça (Ec.6.7). Se alcançamos algo bom motivados pela cobiça, então isso se torna mau.
O homem desvia sua necessidade psicológica
e espiritual para o físico, criando falsas necessidades. Por exemplo, muitas pessoas com ansiedade, desviam seu problema para
uma ilusória necessidade de alimentação. A infelicidade ou sentimento de insatisfação pode ser erroneamente identificado como
falta de alguma coisa material, quando, na realidade o que está faltando é algo espiritual.
O risco e a inutilidade do excesso –
A importância do equilíbrio
O excesso é uma das origens do mal em
muitas de suas manifestações. Em diversos textos, o autor de Eclesiastes menciona o excesso.
Onde está o limite entre o suprimento,
o conforto e o exagero?
Algumas vezes, o exagero de alguém causa
necessidade para outro. Por exemplo, enquanto uma pessoa possui muitos hectares de terra, outra não tem sequer um lote.
Vejamos os versículos de Eclesiastes que
se referem ao excesso ou grande quantidade de qualquer coisa:
1.18 (sabedoria, trabalho) 4.8 (trabalho,
riqueza) 5.2-3 (palavras) 5.7 (sonhos) 5.11 (bens) 5.12 (comida) 6.3 (filhos) 6.3,6 (tempo de vida) 7.16-17 (justiça, sabedoria,
impiedade) (extremos) 10.17 (comida e bebida).
A busca excessiva de Salomão.
2.5 - Toda a espécie 2.7 - grande possessão
- mais do que todos 2.8 - amontoei - de toda sorte
2.9 - engrandeci-me e aumentei mais
do que todos. 10 - tudo.
Seria interessante ler outras palavras
de Salomão sobre o excesso em Provérbios: 24.13-14; 25.16.
O homem quer mais do que lhe é dado. Adão
e Eva podiam comer de quase todos os frutos disponíveis, mas quiseram até mesmo aquele que tinha sido proibido.
A felicidade não está no excesso. Depois
de buscar tudo ao máximo, Salomão encontrou novamente a vaidade e a aflição de espírito.
O excesso daquilo que você quer trará
também o excesso daquilo que você não quer (1.18). Muito conhecimento poderá trazer muito trabalho. Este, por sua vez, pode
até não trazer excesso de dinheiro. Se trouxer, este virá acompanhado de muitas perturbações que só o rico conhece. "Onde
se multiplicam os bens, multiplicam-se também os que deles comem" (5.11).
Salomão apresenta os riscos do excesso
e sua inutilidade. Algumas vezes pode ser perigoso, outras, inútil. Ele não proíbe o excesso. Proibir é próprio da lei e não
da sabedoria. A sabedoria orienta ao cuidado. Muitos excessos são lícitos, ou seja, não são proibidos. Contudo, podem não
ser convenientes. Cabe a cada um julgar com sabedoria cada situação. Isso é bem do estilo no tempo da graça. Não é proibido
comer carne de porco, mas convém? Até que ponto? I Cor.10.23.
Vejamos uma linha de conquista progressiva,
onde a primeira posição corresponde ao mínimo necessário para o suprimento da necessidade. Em um segundo momento, existe algum
excesso. Podemos ver nisso, não um exagero, mas uma posição de conforto. O excesso não será negativo nesse ponto. A
posse material, por exemplo, em níveis ainda maiores pode se tornar inútil ou até mesmo arriscada. Ao pensarmos em dinheiro,
verificamos sua necessidade e utilidade (7.12). É bom que o tenhamos em quantidade superior à necessária. Isso seria confortável.
Se possuirmos muito mais do que precisamos, então não seremos capazes de usufruir de tudo. Se atingimos o que se considera
acúmulo de riqueza, então podemos perder a tranqüilidade e a liberdade. Muitos chegaram a esse nível e vivem se escondendo
com medo de roubos e seqüestros.
Evidências do judaísmo em Eclesiastes,
enfoques teológicos e vínculos bíblicos
A aparente separação do Eclesiastes em
relação ao contexto bíblico se desfaz pelos seguintes elementos:
Referência a Davi (1.1), Jerusalém (1.1,12
2.9), Israel (1.12), Casa de Deus - templo (5.1), sacrifícios (5.1), votos (5.4), anjo (5.6), mandamentos - lei (12.13). Imortalidade
da alma/espírito (3.19-21 12.7), Deus (5.1) (Elohim 33 vers.), pecado (2.26), juízo (12.14).
- O teocentrismo de eclesiastes, abordando
os vários aspectos das relações divinas com o homem:
Deus criador (12.1) - doador (2.24,26
5.18,19) - orientador (soberania) (9.1) - único Pastor (12.11), legislador - 12.13), Juiz (11.9 12.14 3.17).
- O pecado como causa da desgraça humana
- 7.25-26 8.3,13 9.18
- O juízo – No tempo presente, na
vida terrena, o justo e o ímpio passam pelas mesmas coisas. Aparentemente se observa injustiça. Salomão viu isso e se sentiu
incomodado (2.14-16; 8.10-14; 9.1-3). Deus ama a todos e a todos oferece a oportunidade. Por isso, o juízo não se executa
logo. Contudo, Salomão afirma que o julgamento vem e Deus o executará (11.9; 12.14; 3.17).
- Ligações com Gênesis - Pecado - 2.26
Trabalho - 1.13 Morte - 12.7 3.19-21
- Ligação com Apocalipse - Juízo (11.9
12.14) - A eterna morada do homem (12.5).
- Semelhança com Jó 3 - Ec.4.1-3 6.2-6
- Semelhança com Provérbios - Ec.10; 12.9
DEUS
As referências a Deus no livro fazem com que o mesmo possa ser
considerado teocêntrico, ao contrário do que sugerem alguns críticos negativos. Eclesiastes apresenta Deus como criador, doador,
orientador, legislador e juiz. Tudo isso está totalmente coerente com o contexto bíblico geral. Em nossa leitura, notamos
que os verbos associados à pessoa de Deus chamam a atenção por seu sentido e pela freqüência com que se repetem. Entre eles
destacam-se os verbos "fazer", "dar" e "julgar", os quais reforçam a tese de que o autor apresenta Deus como criador, doador
e juiz. Deus criou todas as coisas e deu muitas delas ao homem. Tudo foi feito perfeito (Ec.7.29) e formoso (Ec.3.11). Contudo,
o homem corrompe a criação e também a si mesmo. De tudo isso, Deus pedirá contas ao homem no juízo (3.15,17; 11.9).
DEUS CRIADOR
Ec.3.11 – Deus fez tudo formoso em seu tempo. Deus faz
uma obra oculta.
Ec.3.14 – O que Deus fez durará eternamente.
Ec.7.14 – Deus fez o dia da prosperidade e o dia mau.
Não podemos ter uma visão parcial, como se as adversidades estivessem fora dos planos de Deus.
Ec.8.17 – Obra de Deus.
Ec.11.5 – Obra de Deus.
Ec.12.1 – Lembra-te do teu Criador.
DEUS DOADOR
Ec.1.13 – Deus dá o trabalho ao homem.
Ec.2.24 – Deus dá oportunidade para que o homem usufrua
do fruto do seu trabalho.
Ec.2.26 – Deus dá ao homem sabedoria, conhecimento, alegria
e trabalho.
Ec.3.10 – Deus dá o trabalho ao homem.
Ec.3.12-13 – Deus dá oportunidade para que o homem usufrua
do fruto do seu trabalho.
Ec.5.18 – Deus dá ao homem o tempo de vida.
Ec.6.2 – A alguns, Deus deu riquezas. Dentre esses, alguns
não receberam a condição de uso das mesmas.
Ec.8.15 – Deus nos dá a vida.
DEUS JUIZ
Ec.3.15 – Deus pede contas do que passou.
Ec.3.17 – Deus julgará o justo e o ímpio suprindo a falta
da justiça humana (v.16).
Ec.11.9; 12.14
Depois de receber tantos dons, o que o homem faz? Se esquece
de Deus. Por isso, o autor de Eclesiastes diz: "Lembra-te do teu criador.." (Ec.12.1). E quando se lembra, o homem continua
sua trajetória de erros. Em seu esforço religioso, oferece o "sacrifício de tolos" (Ec.5.1). Faz votos e muitas vezes deixa
de cumpri-los (Ec.5.4-6). O autor reforça o dever humano para com Deus: temer ao Senhor (Ec.5.7; 7.18; 8.12,13;) e obedecer
aos seus mandamentos (Ec.12.13). Este é o nosso dever, sempre atentos ao que agrada ao Senhor (Ec.5.4; 9.7; 7.26), pois estamos
todos em suas mãos. (Ec.9.1).
A CASA DE DEUS (Ec.5.1)
O livro enfatiza bastante a atividade humana. Em meio a tudo
isso, faz-se referência à casa de Deus, na qual o homem deve "guardar o seu pé." A casa de Deus é um lugar onde o homem deveria
parar sua atividade e ouvir a voz de Deus. "Inclina-te mais a ouvir..." Nota-se nessa ordem a importância da palavra de Deus,
a qual deve ser ouvida pelo homem. Precisamos ter cuidado para que o excesso de atividade humana não venha ocupar o lugar
da palavra de Deus em nossas igrejas e em nossas vidas. "Inclina-te mais a ouvir..."
Não basta "escutar" a palavra de Deus. O verbo "ouvir" pressupõe
"atender", "obedecer". A obediência inclui atividade, mas agora tem-se uma ação divinamente orientada.
O autor nos alerta contra a religiosidade fútil diante do verdadeiro
Deus. Assim, o servo de Deus estaria fazendo tolices como fazem aqueles que não conhecem o Senhor. Este é o caso de se fazer
muita coisa para Deus e deixar de fazer exatamente o que ele mandou que fizéssemos.
O versículo 2 do capítulo 5 nos traz uma expressão ainda mais
íntima. Agora o homem está "diante de Deus". Nesse momento, o homem tem a tendência de falar muito e falar errado. O autor
condena essa precipitação e abundância de palavras (Ec.5.2-3). Está em pauta a questão da oração. Quando oramos de forma impensada,
corremos o risco de falar tolices, inclusive fazendo votos que não poderemos cumprir (Ec.5.4-6). Isso ocorre, principalmente,
quando se tem um tempo de oração a observar. Muitas vezes, o assunto já terminou mas ainda há tempo para orar. Então começamos
a encher o tempo com palavras vazias e repetitivas (Mt.6.7). Seria melhor então que dedicássemos esse tempo para ouvir o Senhor
através da sua palavra. Quando orarmos, precisamos de objetividade. Isto será melhor que a excessiva quantidade de palavras.
Precisamos ter em claro em nossa mente o objetivo da nossa oração. Como disse Oséias: "Tomai convosco palavras e voltai para
o Senhor. Dizei-lhe: Perdoa toda a iniqüidade." (Os.14.2). Pelo quê vamos orar? Não devemos começar a falar ou cantar de modo
irrefletido e irresponsável. Tendo objetivos claros, poderemos nos lembrar deles e esperar conscientemente a resposta de Deus.
Veja a objetividade do salmista que diz: "Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que eu possa habitar na casa do Senhor todos
os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo." (Salmo 27.4).
No mesmo versículo em que diz que o homem está "diante de Deus",
o autor completa dizendo que o homem está na terra e que Deus está nos céus. Pode parecer uma contradição. Contudo, acho mais
coerente ver nesse texto não uma idéia de distância geográfica, mas de duas realidades diferentes, dois níveis distintos.
A realidade divina é representada pela palavra céu. A realidade humana é terra. Muitas vezes, nossas orações são erradas porque
não compreendemos a ação divina. Queremos interpretá-lo sob a ótica terrena. Nós vemos as obras de Deus, não as compreendemos,
mas queremos julgá-las. Então nos precipitamos com nossa boca e falamos de modo errado diante de Deus. Isso pode ser nossa
reclamação, nossa murmuração, que também é um tipo de oração negativa. Deus está no céu. O seu propósito é superior. Sua vontade
é suprema. Vamos então nos inclinar para ouvir e aprender com ele.
Ao dizer que "Deus está nos céus e tu estás sobre a terra",
é como se o autor estivesse exortando o leitor a "se colocar no seu lugar". O adorador que chega para cultuar a Deus, não
está em posição de determinar o que Deus deva fazer, nem a ele cabe o questionamento das obras divinas, nem tampouco a revolta
ou rejeição contra os desígnios do Senhor. Se assim for, não é adoração que veio prestar.
No versículo 4, encontramos a afirmação de que "Deus não se
agrada de tolos." O culto tem o objetivo de agradar a Deus. Afinal, para quem é o culto? Para Deus ou para os que cultuam?
Se o culto estiver voltado para o homem, então este se tornou o seu próprio deus. Se o objetivo da nossa pregação e do evangelho
que anunciamos for para agradar aos homens, então não somos servos de Cristo (Gálatas 1.10).
O HOMEM
Todo o livro de Eclesiastes se relaciona ao ser humano. Evidentemente,
foi escrito para o homem, avalia a vida humana, as relações humanas e a relação entre o homem e Deus.
Muitas vezes o autor menciona "o homem". Tal referência é um
tratamento genérico, ou seja, refere-se a qualquer ser humano, seja homem ou mulher, independente de qualquer distinção. Temos
nesse detalhe uma evidência do caráter universal de Eclesiastes. Sua mensagem se dirige a todos os homens (12.13), e não apenas
aos judeus, como seria natural em se tratando de um escrito do Velho Testamento. Logo, esse livro apresenta uma característica
avançada para o seu contexto, não se restringindo pelo nacionalismo ou exclusivismo judaico.
Em outros momentos, a expressão "o homem" ganha um complemento.
Por exemplo: "O homem que é bom" (2.26). O termo "que" determina um tipo específico de homem, ou simplesmente o homem genérico
em situações específicas.
"O homem" - genérico - caráter universal de Eclesiastes (1.3;
2.3; 6.10; 7.2; 8.8; 12.13)
"O homem que... " - específico - 2.12,26 etc
PROGRESSÃO DA ANÁLISE DO AUTOR SOBRE O HOMEM
Capítulo 1 - Salomão vê o universo.
Capítulo 2 - Salomão vê a si mesmo, fala consigo mesmo, fala
de si mesmo e de seus interesses, conquistas, construções e decepções. Nesse capítulo, os pronomes e verbos se referem quase
que exclusivamente à primeira pessoa do singular: Vejamos os números de acordo com a versão bíblica de Thompson: Nos primeiros
20 versículos do capítulo 2 o pronome "eu" aparece 5 vezes; "meu" 11 vezes; "minha" 5 vezes; "me" 7 vezes; "mim" 5 vezes,
"comigo" 1 vez, e 44 verbos referentes ao próprio autor, incluindo conjugações em primeira pessoa e os gerúndios, particípios
e infinitivos relacionados. Existem ainda alguns verbos em terceira pessoa mas usados pelo autor para se referir ao seu próprio
coração, seus olhos e suas mãos. Nesses mesmos versículos existem poucas referências genéricas ao homem e algumas mais específicas,
que se referem aos servos e servas do autor. Em resumo, Salomão está analisando sua própria vida para tirar conclusões aplicáveis
a todos os homens.
A partir do versículo 21 do capítulo 2, o autor vê os outros
homens, suas atividades e relações mútuas.
AS RELAÇÕES HUMANAS
Observando as relações humanas, o autor vai especificando o
papel ou posição do homem dentro da relação ou fora dela. Surgem então as seguintes referências:
- O próximo (ou estranho) – mostra contato casual, sem
compromisso, sem amizade, sem parentesco – (4.4; 6.2).
- O companheiro – o amigo (4.10).
- Mulher, filho, irmão, parente - relação conjugal e familiar
– (4.7-12; 6.3; 7.26; 9.9; 11.5)
- Relação social – (4.1; 5.8; 8.2).
Como disse Deus, "não é bom que o homem esteja só". Assim, ele
se aproxima do outro tornando-se "próximo". Havendo uma relação amistosa e cooperativa, tornam-se "companheiros". A próxima
fase é a relação conjugal e familiar, que não deve suprimir o companheirismo da fase anterior, ou não deveria suprimir. Da
família surge a sociedade. Salomão contempla o quadro social de sua época com as diferenças de classes e relações sociais
diversas. Em meio a tudo isso, o autor avalia também as relações do homem com Deus, como são e como deveriam ser (cap.5 e
12).
RELAÇÕES E POSIÇÕES SOCIAIS
Como vimos, muitas vezes o autor de Eclesiastes se refere ao
homem de forma genérica e, às vezes, de forma específica. Tais tratamentos evidenciam as igualdades e as diferenças humanas.
Em alguns momentos o homem quer ser igual ao outro homem. Em outro instante, quer ser diferente. Por exemplo, se o homem quer
entrar em um grupo, então procura ser igual aos demais, assumindo valores e padrões de identificação do grupo, afim de ser
aceito. Quer ser normal, de acordo com as normas do grupo. Depois que sua admissão está consumada, o homem procura ser diferente
para obter destaque. Busca então a individualidade. Em última análise, o homem não quer ser genérico, comum. Quer ser específico,
especial, diferente. Por isso, sempre deseja posições, adjetivos e títulos que o façam diferente e, de preferência, superior
ao seu próximo (Ec.1.16; 2.7,9). No arranjo social humano, Salomão observou que o homem genérico assumiu ou recebeu posições
diferenciadas.
O homem comum (genérico) herda posições e títulos (10.16; 2.7)
- adquire (disputa) posições, títulos e adjetivos. Acaba ganhando outros adjetivos, alguns até indesejáveis e talvez merecidos.
O fato é que estamos sempre sendo julgados, sentenciados e rotulados pelos que nos observam.
Selecionando alguns adjetivos: rico, pobre, justo, ímpio, sábio,
tolo, opressor e oprimido, fizemos o esquema acima, apresentando as combinações que julgamos possíveis (3.17; 4.1; 5.8; 5.12;
7.7). Algumas delas podem ser vistas no Eclesiastes. Nosso objetivo é perceber a análise social que Salomão fez. Ele observa
tais características do ser humano e algumas combinações entre elas. Em 4.13, menciona-se um "jovem pobre sábio" e um "rico
velho tolo". Jovens e velhos podem ser encontrados em qualquer das posições acima descritas. Estão em confronto posicões sociais
e condições morais. Precisamos examinar essas combinações, de modo que venhamos a perceber o valor de cada característica.
Somos convidados a avaliar a pior e a melhor combinação. Salomão fez esse tipo de exame e concluiu: "Melhor é o jovem pobre
e sábio." Destaca-se nessa frase o valor da sabedoria.
Algumas combinações são desconcertantes. Em 9.11-18 temos um
"sábio pobre oprimido". Com isso, o autor mostra que não existe uma relação lógica e natural entre sabedoria e riqueza, ou
entre justiça e riqueza, ou entre idade avançada e sabedoria. Ter um "jovem sábio" (Sal.119.100) ou um "sábio oprimido" (7.7;
10.5-7) não parece ser algo natural. Contudo, a bíblia vem nos mostrar essas realidades. O próprio autor de Eclesiastes parece
um pouco surpreso com tais observações. Ele fica admirado ao constatar que não é dos sábios o pão, nem dos prudentes a riqueza
(9.11). Algumas expectativas acabam não se cumprindo. Como poderíamos então falar da riqueza como algo ligado necessariamente
à vida do servo de Deus? Parece que esse tipo de associação não tem respaldo bíblico.
É possível que uma pessoa se desloque entre os níveis morais
e sociais apresentados. Deus nos dá tempo e oportunidade para descer ou subir. Descer é sermpe mais fácil. O rico pode perder
sua riqueza por qualquer má aventura (5.14). Para o pobre tornar-se rico é bem mais difícil. Já nascemos em uma posição social
definida. Temos sobre nós o peso da herança. O livro fala sobre "o que nasceu pobre", o "servo nascido em casa" (4.14; 2.7)
e também sobre um rei que é criança, ou seja, nasceu rico (10.16). Contudo, aquele "que nasceu pobre" tornou-se rei. Saiu
do cárcere para reinar (4.14). O autor mostra a mudança de posição social. Vemos aí a possibilidade que, estando nos propósitos
divinos, torna-se realidade. Tal referência nos faz lembrar a história de José do Egito, que saiu do cárcere para governar.
O homem se ilude com sua posição e passa a desprezar ou até
a oprimir aquele que lhe parece inferior. Salomão examina tudo isso e chega a mostrar os riscos da riqueza e e os prazeres
do pobre (5.12-20).
Em todo esse quadro de situações e posições, o que importa de
fato é a questão moral ou espiritual do homem. Muitas vezes nos deixamos levar pela questão de riqueza e pobreza como se isso
fosse o mais importante. Muito mais significativo é o peso da justiça, da impiedade, da sabedoria e da tolice.
O homem se ilude com sua posição social, mas precisa se conscientizar
de sua real condição para viver bem com Deus e com o próximo. Por isso, o autor compara o homem com os animais. Tenta, assim,
mostrar a igualdade humana, a despeito da aparente diferença (3.18-20; 5.15.)
Diante de tantos adjetivos, destacam-se: "vivos" e "mortos"
como o melhor e o pior adjetivo, já que enquanto há vida há esperança de melhora em todos os aspectos (9.1-5). A morte vem
mostrar a igualdade humana. Do pó para o pó. A desigualdade da vida se desfaz no pó da morte (Jó 3.11-22). Contudo, o Eclesiastes
fala do juízo. Então, a desigualdade volta à pauta. Não uma desigualdade social, mas uma desigualdade espiritual e eterna
em consequência da desigualdade moral em vida (Dn.12.2). Lembre-se da história do rico e do Lázaro, sua desigualdade social
em vida e sua desigualdade espiritual pós-túmulo.
TIPOS DE RELAÇÕES SOCIAIS OBSERVADAS PELO ECLESIASTES
Serviço (Serviço + propriedade = escravidão) - 2.7-8
Governo - 8.2-4
Domínio - 8.9
Opressão - 4.1 = (Governo + opressão = Ditadura)
Família (2.18,21,26)
Contato físico (3.5)
Exploração (6.2)
Pranto pelo morto - 12.5
Esquecimento - 2.16
O autor fala sobre um aspecto ideal para as relações humanas:
a ajuda e o consolo ao próximo. Contudo, nesses casos, ele aconselha mas não viu nenhum exemplo para mencionar. (11.1-3; 4.1).
Observam-se no texto referências aos erros e conflitos que ocorrem nas relações humanas em todos os níveis (4.1,4; 5.8; 7.21,22,26;
10.4-5,20; 7.7; 9.14). Contudo, os relacionamentos humanos corretos são apresentados como necessários e fundamentais (4.8-12;
9.9). Se tudo isso pode trazer problemas, a ausência das relações pode ser ainda um problema pior. "Ai do que estiver só..."
(4.10).
CARACTERIZAÇÃO HUMANA NO ECLESIASTES
O substantivo comum "homem" é alterado por adjetivos, advérbios,
predicados, predicativos ou trocado por outro substantivo ao qual acrescentam-se novos adjetivos. Desse modo, caracterizamos
as pessoas.
Exemplos:
Homem
Homem que trabalha
Homem trabalhador
Profissional
Bom profissional
Péssimo profissional
Homem
Homem que não trabalha
Homem preguiçoso
Malandro
Malandro perigoso
Malandro muito perigoso.
Note-se a evolução da caracterização humana. Estamos sempre
conquistando ou ganhando adjetivos e substantivos. Exemplos em Eclesiastes.
Homem (genérico) (6.3)
Homem que seguir o rei (2.12).
Homem pobre (9.15)
Pecador (2.26)
Grande rei (9.14)
Tais terminologias podem parecer muito semelhantes em sua função
caracterizadora do ser humano. Contudo, quando usamos a preposição "que" estamos, normalmente, falando de uma ação eventual.
Uma coisa é falar de um "homem que faz o bem". Outra coisa é chamá-lo de "bom". Somente uma prática constante pode dar ao
homem o adjetivo correspondente à sua ação. Seria correto dizer que o "homem que segue o rei" é um seguidor? Só diríamos isso
se soubéssemos que existe a prática constante de seguir o rei. Poderíamos chamá-lo de "discípulo"? Só se soubéssemos que existe
entre ambos um compromisso. Uma coisa é se referir a alguém como "um homem que escreve". Outra coisa é chamá-lo de "escritor",
"escriba" ou "escrivão". Então, para cada tipo de ação ou situação usamos um tipo de caracterização que, embora seja semelhante,
contém sentido bem diverso. Os adjetivos negativos, entretanto, são adquiridos com mais facilidade. Por exemplo, "o homem
que" roubar uma única vez já ganhará o nome de "ladrão", do qual dificilmente se desvencilhará no futuro
SITUAÇÕES, AÇÕES, POSIÇÕES, E TÍTULOS
Somos caracterizados em função de situações em que nos encontramos,
ou devido às nossas ações, ou por causa das posições que ocupamos. Sempre gostamos de ganhar adjetivos. Ser chamado de "homem"
não chega a ser, normalmente, um elogio ou um insulto, mas ser chamado de "homem forte" já é algo totalmente diferente. Veja
como o adjetivo muda completamente a imagem da pessoa, mesmo que isso seja uma ilusão. Entretanto, os adjetivos não chegam
a ser satisfatórios para o ser humano. O homem quer possuir títulos honrosos. Poderíamos falar de alguém como "um homem que
governa". Isso é pouco. É uma designação fraca. Então podemos acrescentar-lhe um adjetivo: "homem governador". Daí, como acontece
com muitos adjetivos, o "governador" se torna substantivo. Substantivo é nome. Então, já não chamamos habitualmente tal homem
pelo seu nome próprio, mas pelo título recebido. Contudo, o homem quer títulos mais pomposos. Então o governador ganha título
de "rei", "presidente", etc.
Saindo um pouco do nosso livro-tema, vejamos no evangelho de
João, capítulo 1 (19 a 28), a valorização humana pelos títulos. O texto fala de sacerdotes e levitas (note os títulos) que
foram entrevistar João Batista e lhe perguntaram: "Quem és tu? És Elias? És profeta? Quem és? Que dizes de ti mesmo?" Após
dizer várias vezes "não sou", João se identificou como "a voz que clama no deserto". Ele poderia ter se apresentado como levita,
já que era da tribo de Levi, ou pelo menos como filho do sacerdote Zacarias. Poderia dizer que era profeta e não estaria mentindo.
Contudo, João não aceitou títulos. Aqueles judeus queriam saber qual era a posição social e religiosa de João. A posição era
importantíssima para eles, como, muitas vezes é para nós. Contudo, João não disse quem ele era mas sim o que ele estava fazendo:
"Eu sou a voz que clama...". O mais importante não é o título que temos mas o trabalho que estamos executando. Acontece, em
muitos casos, o contrário. Muitas pessoas têm títulos mas não fazem aquilo que o título indica. É como uma garrafa com um
rótulo bonito e conteúdo ruim.
FAZER, SER E ESTAR
Sempre fazemos muitas coisas. Mas queremos ser
alguma coisa, e essa é a ilusão resultante dos adjetivos e títulos. Queremos adjetivos relativos aos nossos bons atos ou boa
situação. Quando os recebemos, pensamos que somos aquilo. Por exemplo: o homem "rico" age, pensa e vive como se houvesse alcançado
o "ser" rico. Na realidade o correto seria que tal pessoa se visse como alguém que "está" rico. Esta é a visão real da vida
humana. O verbo ser não é muito apropriado para o ser humano, a não ser naquela declaração divina: "Tú ÉS pó." Aí está o que
o homem é. Nas outras questões, o verbo "estar" é o mais coerente com a transitoriedade humana. Precisamos nos lembrar disso,
afim de que não venhamos a ser dominados pela soberba, pelo orgulho e pelo desprezo para com o próximo. O verbo ser é bem
apropriado para a pessoa de Deus. Somente ele É, SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ. Ele não muda. Por isso, ao ser perguntado por Moisés
sobre o seu nome, o Senhor respondeu: "EU SOU".
Vejamos os adjetivos e títulos encontrados no livro de Eclesiastes,
os quais demonstram a atenção do autor em relação à caracterização humana em função de suas situações, ações, posições e conseqüentes
títulos. Normalmente pode-se constatar que para cada posição de destaque ou vantagem existe outra simetricamente oposta, onde
outra(s) pessoa(s) ocupa(m) lugar de desprezo. Sem isso, não haveria valor para as posições de destaque. Afinal, não haveria
nenhum destaque. Em alguns casos, o adjetivo apresentado não se encontra no texto mas está subentendido.
Servo / senhor - 7.21; 10.7
Governador / governado - 10.4-5; 7.19
Rei / súdito - 1.1; 9.2; 9.14; 10.16,20; 5.9; 8.2
Dominador / dominado - 8.9 (pastor dominador?) 9.17
Pregador / ouvinte (povo) - 1.1; 12.9
Sucessor - 4.15; 2.18-19
Altos - 5.8
Rico / pobre (trabalhador) - 5.8 5.12,13; 9.14-16; 10.6;
Sábio / tolo (insensato) - 7.19; 10.6; 8.1,5; 2.14; 5.1; 6.8;
9.11; 7.4-7,9; 7.19; 8.17;
9.1; 9.14-15,17; 10.2-3,6,12-15
Príncipes - 10.7,16,17;
Nobres (adj. e subst.) - 10.17
Cantor e cantora - 2.8.
Jovem / velho - 4.13
Justo / ímpio - 7.15-17,20; 8.10,13,14; 9.1-2
O estranho - 6.2
Louco - 2.14
Forte (homem?) - 6.10; 7.19
Paciente - 7.8
Orgulhoso - 7.8
O homem que teme - 7.18; 8.12
(Homem) que faça o bem - 7.20
(Homem) que nunca peque - 7.20
(Homens) que entravam no lugar santo - 8.10
Pecador - 8.12; 9.18
(Homem) que não teme - 8.13
Bom / mau - 9.2
Puro / impuro - 9.2
(Homem) que sacrifica - 9.2
(Homem) que jura - 9.2
(Homem) que não sacrifica - 9.2
(Homem) que não jura - 9.2
Ligeiros, valentes, prudentes, entendidos - 9.11
Grande - 9.14
Perfumista - 10.1
Encantador – 10.11
Preguiçoso – 10.18
Consolador (não há) - 4.1
Obs.: No capítulo 12 temos a caracterização exclusiva da pessoa
de Deus: Único pastor/ criador (12).
"Sábio" é um adjetivo (e também substantivo) entre os mais valorizados
pelo Eclesiastes. O sábio, mesmo que seja "pobre", poderá superar o "grande", o "rico" e o "forte" (9.14-18). O jovem sábio
supera o rei velho e insensato (4.13). Outro adjetivo em destaque é o "justo". Contudo, o autor insiste que todos serão "esquecidos".
Todos serão anulados pela morte (2.14-16). Entretanto, o livro deixa uma janela aberta para a eternidade. Apesar da transitoriedade
de seus efeitos terrenos, a sabedoria e a justiça terão valor eterno diante do juízo divino (12.14).
No espaço da vida é que se encontram todas as posições, adjetivos
e títulos assumidos pelo homem. Enquanto se tem o adjetivo "vivo" muitos outros são cobiçados e conquistados. Depois, recebe-se
um único adjetivo: "morto" (9.3-6), o qual é o mais duradouro que o ser humano pode possuir antes do juízo. Salomão fala então
da morte de modo claro e direto (2.16; 3.2,18-21; 4.2; 5.15; 6.3; 7.1-4,17; 8.10,13; 9.10; 12.5,7). Enfatiza a igualdade biológica
humana, que muitas vezes é esquecida diante da desigualdade social. Em sua ênfase biológica, o autor acaba por comparar o
homem com os animais irracionais. A mortalidade humana e a ineficácia de todos os recursos diante de tal realidade são fatos
apresentados de modo contundente como que numa tentativa de mostrar ao homem a fragilidade de suas posições sociais e a importância
das questões morais, uma vez que estas serão consideradas no juízo divino (12.14). O homem se ilude com suas posições, seus
títulos e usa de sua condição para oprimir o seu próximo.
A referência que o livro faz à eternidade é bem resumida mas
fundamental. Sem isso, tal escrito estaria confinado em uma visão biológica, terrena e limitada pela morte. A maior parte
das declarações do autor estão restritas aos aspectos terrenos da vida humana. Por isso é usada a expressão "debaixo do sol".
Dentro desse limite, tudo é vaidade. A menção à eternidade é uma "janela" que o autor deixou como um escape para a vaidade
terrena e o motivo principal para se cultivar a justiça e a sabedoria nesta vida.
O HOMEM E O ANIMAL
- Qual é a vantagem de um sobre o outro? (Ec.3.19).
- Sob o ponto de vista biológico: nenhuma. Esse é o tipo de
visão que o autor tem ao comparar homens e animais. Observe semelhança do Salmo 49 com a visão de Eclesiastes.
- O animal se restringe aos limites da natureza.
- O homem vive desafiando, superando e contrariando a natureza.
7.29
- Isto é bom ou ruim?
- Depende de seu uso para o bem ou para o mal.
- Qual o limite? Quando o progresso ameaça o equilíbrio. Onde
é esse ponto? Só a sabedoria pode responder em cada situação.
- O homem tem o que aprender com o animal.
- A formiga, o gafanhoto, as aves do céu. Não têm títulos nem
posições sociais, mas trabalham no tempo certo. (Pv.6.5-8; Pv.30.21-33; Mt.6.26). Salomão observou e aprendeu.
- O animal tem o seu prazer nas coisas simples. O autor nos
chama a atenção para os prazeres simples da vida: comer, beber, dormir, ver o sol, gozar a vida (Ec.2.24; 5.18; 5.12; 9.9;
11;7).
- Desvantagem humana: o homem tem o pecado (8.11) que o animal
não tem. (Cobiça: Ec.4.8; 5.10; 6.7,9 – inveja: Ec.4.4 – ansiedade: Ec.5.12).
- O homem precisa reconhecer sua semelhança biológica com o
animal (3.18-19 - morte) para refletir sobre sua cobiça e sua soberba.
- O homem vai além do animal quando é espiritual.
- Homem natural x homem espiritual - I Cor. 2.14
TEMPO
DEUS NOS DEU O TEMPO - NÃO SABEMOS QUANTO - NÚMERO DEFINIDO
DE DIAS -
TEMPO = OPORTUNIDADE
Entre as coisas que Deus deu ao homem está o tempo. (oportunidade
- a cada manhã - Lm.3.22-23).
Como nasce o sol, também "nascemos" a cada dia. Ec.1.5.
Ec.2.3 - Número dos dias - definido – porém, pode-se morrer
antes - 7.17 (Ex.: suicídio).
O que fazemos da oportunidade que Deus nos dá? Apc. 2.20-21
(arrependimento do pecado ou tolerância?).
Na palavra oportunidade estão todos os valores relacionados
à vida humana.
Tempo ocupado pelo trabalho - 8.16 - para oprimir 8.9 - por
dores 2.23 nas trevas 5.17
No Novo Testamento temos a parábola da grande ceia. Cada convidado
se ausentou porque preferiu preencher seu tempo com outras coisas, as quais não eram más em si mesmas. Porém, tornaram-se
malignas porque se constituíram em empecilho ao propósito de Deus para aquelas pessoas. (Mt.22.1-14; Lc.21.34).
TEMPO PARA TUDO - DETERMINADO - NÃO PREDESTINADO - É USADO OU
PERDIDO
Ec.3 - Equilíbrio em tudo - tempo para isso e para aquilo. Ex.:
tempo de falar e tempo de estar calado. Quem perde esse equilíbrio torna-se desagradável.
O autor diz que há tempo para tal coisa mas não diz quando é
esse tempo. É preciso sabedoria para se discernir o tempo certo.
Ec.3.1, 11 - Tempo determinado não é predestinação. É um tempo
definido para uma realização. A ação humana não está determinada. Passa o tempo de plantar mas o homem não planta. Jr.8.7
Não há tempo determinado para o pecado - 9.8
A SABEDORIA E O TEMPO - SABER O TEMPO E O MODO
Um dos sinais da sabedoria é a identificação do tempo e do modo.
Ester 1.13 Ec.8.5-6.
O homem não conhece o seu tempo: 9.11-12
ESPERA OU INICIATIVA?
A espera - necessária ou demasiada? Cautela ou covardia? Preguiça?
(10.18)
A iniciativa - necessária ou precipitada? Decidido ou apressado?
Tensão entre a espera e a iniciativa. É preciso sabedoria para
se decidir por uma ou outra atitude.
Os erros e acertos (nossos ou dos outros) vão nos ensinando.
Experiência gera sabedoria.
Se tivermos oportunidade de repetir certas ações, talvez possamos
fazê-las de modo cada vez mais correto e no tempo apropriado. Porém, algumas ações são únicas na vida. Não podemos errar,
já que não teremos chance de tentar novamente. Por isso, precisamos de sabedoria prévia, não produzida pelo erro anterior,
mas pela palavra de Deus (Jr.8.9) e pelo dom do Espírito Santo (Tg.1.5; I Cor.1.19-30; 2.1-16; 12.8). A sabedoria humana,
terrena, pode ser muito útil para o êxito material, mas a sabedoria espiritual é aquela que conduz o homem à justiça e à salvação.
"Filho meu, ouve as minhas palavras..." Ouvir a experiência
dos pais pode poupar os filhos de muitos sofrimentos desnecessários. É uma maneira mais suave de se adquirir alguma sabedoria.
No tempo certo - 10.17
Antes da hora - 10.16
Pressa - 5.1-2; 8.3; 7.8-9. Pv.14.17; 16.32; 25.8 Tardio - Tg.1.19
Não tardes - 5.4;
EM QUE SITUAÇÃO SE DEVE ESPERAR?
Quando se trata de um fruto que precisa amadurecer. (3.11) (Tg.5.7)
Quando se trata de um investimento cujo resultado requer tempo.
(EC.11.1)
SEJA TARDIO PARA O MAL OU PARA O QUE FOR ARRISCADO (Tg.1.19)
EVITE-O AO MÁXIMO – Em algumas situações, uma ação negativa
poderá ser necessária para que se
evite um mal maior. É preciso muita sabedoria para se julgar
esse tipo de situação. (PV.6.16-18)
NÃO DEMORE A FAZER O BEM (Rm.12.11,12,13).
A DIVISÃO DO TEMPO
Tempo – Vida – Anos – Dias – Manhãs
e Tardes
Tempo (princípio e fim) Ec.3.11 / Vida – Ec.9.3 (adolescência,
mocidade, primavera da vida, Ec.11.9-10; 12.1, velhice – Ec.12.1-7) /
Anos – Ec.11.8 / Dias - Ec.11.8 (manhã e tarde –
Ec.11.6 - Gn.1.5,8,13,19,23,31)
Ec.11.8 - Não pense apenas nos anos. Administre os dias.
Salomão menciona o dia em Ec.1.5.
A expressão "debaixo do sol" indica o dia.
O valor do dia - Mt.6.11,30-34 - o pão nosso de cada dia.
Ensina-nos a contar os nossos dias. Salmo 90.12-15; 89.47.
Dia - unidade de tempo a ser administrada. É o que temos.
Lembra-te do teu criador nos DIAS da tua mocidade. Ec.12.1.
Gozar o bem todos os dias - não perca a chance diária - 5.18,20/
8.15; 9.9 11.9.
Preocupação com o dia - gasto como sombra - 6.12 - Não se pode
reter a sombra. Inconsistente, uma ausência de luz.
Dias bons e dias maus - 7.14 - 12.1
Dia da morte - 8.8 (7.1).
O dia mais importante: hoje - Heb. 4.7 - II Cor. 6.2.
PARA USAR BEM O TEMPO, ESTABELEÇA ORDEM DE PRIORIDADE
"Antes que..." (Cap.12)
11.6 - plantar primeiro, comer depois. (Compare 11.6 com 10.16).
Prioridade - 12.1 - Não espere - "Antes que..." vs. 1,2,6.
Lembra-te do Criador antes que tudo isso aconteça, inclusive
o verso 7.
Antes, porque "depois" será muito tarde.
NÃO PERCA O FOCO ENTRE O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO.
Foco no passado - 7.10
REMINDO O TEMPO
Remindo o tempo - Ef.5.16 Col.4.5 (salvar, aproveitar, evitar
a perda).
O TEMPO DO JULGAMENTO
3.1-8,11,17 - O tempo de Deus julgar o que o homem fez no seu
tempo.
OBSERVAÇÕES:
O "depois" não nos pertence. Ec.3.22.
100 anos - muito tempo e pouca realização - 6.3,6
Nada novo - novo é o homem - Ec.1.10 - Temos noção errada sobre
o tempo devido à brevidade da nossa vida. Na medida em que envelhecemos, nossa noção de tempo vai mudando. Para uma criança,
1 ano é muito tempo.
PESSIMISMO E OTIMISMO
PESSIMISMO
1.2,8,9,13,14,15,18
2.1,11,12,15,17,18,21,23
3.19
4.2,3,4,16
5.1,10,11,14,17
7.1-3,7,8,20
8.11,16
10.8-9
OTIMISMO
2.26
3.1,17
5.12,18
7.14
8.5,15
9.9
11.1
12.1
Conceitos
Expectativa de que o bem ou o mal aconteçam.
Interpretação negativa ou positiva de um mesmo fato.
Somos pessimistas em relação a algumas coisas e otimistas em
relação a outras. Assim como nos alegramos e nos entristecemos em momentos distintos.
O que mais se evidencia em nossas atitudes pode nos caracterizar.
É algo aderente à nossa personalidade.
Nossas experiências anteriores determinam a nossa expectativa.
(Bloqueio em relação ao futuro. Bom é ter esperança - Lm.3 - Trazer à memória o que dá esperança. - Selecione suas lembranças,
desprezando as ruins. - Pense no que é bom - Fil.4.8).
Eclesiastes
Autor pessimista - a julgar pela quantidade de evidências.
Toques de otimismo.
Peso da realidade - fatos negativos - o pecado a tudo corrompe
- um só pecador (Adão, o primeiro) - a mosca (10.1).
A mensagem do livro - Não é pessimista nem otimista. Conscientiza
das duas possibilidades e deixa o leitor escolher seu próprio rumo. 11.9 12.13-14.
Fica destacado o grande risco do mal. Não se enfatiza a recompensa
pelo bem.
Algumas reflexões do autor equilibram suas próprias afirmações
anteriores. 5.18 x 6.2
8.6; 11.8.
Com pessimismo ou com otimismo, trabalhe: 11.1,6. Algumas pessoas
deixam de trabalhar, não por pessimismo mas por preguiça. Então dão desculpas pessimistas para sua atitude. (Pv.)
Em caso de utilização impressa do presente material, favor mencionar
o nome do autor: Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia.
Para esclarecimento de dúvidas em relação ao conteúdo, encaminhe
mensagem para anisiora@mg.trt.gov.br
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apenas com o objetivo de divulgar Eclesiastes.
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