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O OBJETIVO DE UM SITE DO LIVRO DE ECLESIASTES
Desde um certo tempo da minha vida, eu sempre faço citações e cometários a respeito do Livro
de Eclesiastes, então resolvi criar esse site com informações diversas sobre Eclesiastes com o unico objetivo de servir como
consulta sobre o tema e divulgação do mesmo.
O LIVRO DE ECLESIASTES
No livro de Eclesiastes estão registrados os pensamentos
do "Sábio", um homem que meditou profundamente sobre a vida humana, com as suas injustiças e decepções, e concluiu que "tudo
é ilusão". O Eclesiastes é o livro do homem sem Deus. Deus não acusa esse homem, mas deixa que ele fale dos seus sucessos
e insucessos, do seu pessimismo e otimismo, da sua esperança e desespero.
Mas esse homem se volta para Deus e descobre verdades consoladoras. O "Sábio" aconselha os jovens a se lembrarem
do seu Criador nos dias da sua mocidade, antes que o corpo volte para o pó da terra, e o espírito volte para Deus, que o deu
(#Et 12.7). E no final do livro o "Sábio" afirma: "De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: Tema a Deus e obedeça aos seus
mandamentos porque foi para isso que fomos criados. Nós teremos de prestar contas a Deus de tudo o que fizermos e até daquilo
que fizermos em segredo, seja o bem ou o mal"
O LIVRO DE ECLESIASTES - II
Este pequeno livro intitulado "Palavras de Coélet, filho
de Davi, rei em Jerusalém". A palavra "Coélet" (cf. 1.2,12 ; 7.27; 12.8-10) não é um nome próprio, e sim um substantivo comum
usado às vezes com artigo; embora feminino em sua forma, constrói-se com o masculino. Conforme a explicação mais verossímil,
é um nome de ofício e designa aquele que fala na assembléia (qahal, em grego ekklesia; daí os títulos latino e português,
transcritos da Bíblia grega), numa palavra, "o Pregador". É chamado "filho de Davi e rei em Jerusalém" (cf. 1.12) e, embora
o nome não seja mencionado, ele é certamente identificado com Salomão, ao qual o texto com certeza faz alusão em 1.16 (Cf.
1 Rs 3.12; 5.10-11; 10.7 e 2.7-9 (cf. 1 Rs 3.13; 10.23). Mas essa atribuição não passa de mera ficção literária do autor,
que põe suas reflexões sob o patrocínio do mais ilustre dos sábios de Israel. A linguagem do livro e sua doutrina, impedem
de situá-lo antes do Exílio. Muitas vezes se tem contestado a unidade de autor e distinguido duas, três, quatro e até oito
mãos distintas. Todavia, cada vez mais vai renunciando a uma fragmentação que desconhece o gênero e o pensamento do livro
e que é desmentida pela unidade de estilo e de vocabulário. Mas ele foi editado por um discípulo, que acrescentou os últimos
versículos (12.9-14).
Como em outros livros sapienciais, o pensamento vai e
vem, se repete e se corrige. Não há um plano definido; mas trata-se de variações sobre um tema único, a vaidade das coisas
humanas, que é afirmada no começo e no fim do livro (1.2 e 12.8). Tudo é decepcionante: a ciência, a riqueza, o amor, até
mesmo a vida. Esta não é mais do que uma série de atos incoerentes e sem importância (3.1-11), cujo fim é a velhice (12.1-7)
e a morte, a qual atinge igualmente os sábios e néscios, ricos e pobres, animais e homens (3.14-20). O problema de Coélet
é o de Jó: o bem e o mal têm sua sanção aqui na terra? E a resposta de Coélet, como a de Jó, é negativa, pois a experiência
contradiz as soluções correntes (7.25--8.14). Só que Coélet é um homem de boa saúde e não pergunta, como Jó, pelas razões
do sofrimento, e se consola gozando das modestas alegrias que a existência pode dar (3.12-13; 8.15; 9.7-9). Digamos, antes,
que procura consolar-se, pois vive totalmente insatisfeito. O mistério do além o atormenta, sem que ele vislumbre uma solução
(3.21; 9.10; 12.7). Mas Coélet é um homem de fé e, embora fique desconcertado com o rumo que Deus dá aos assuntos humanos,
afirma que Deus não tem de prestar contas (3.11,14; 7.13), que se devem aceitar de sua mão tanto as provações como as alegrias
(7.14), que é preciso observar os mandamentos e temer a Deus (5.6; 8.12-13).
É claro que esta doutrina está longe de ser coerente.
Mas em vez de repartir seus elementos entre os diversos autores que se corrigiriam ou cairiam em contradição, não seria melhor
atribuir suas incoerências a um pensamento inseguro de si mesmo, porque aborda um mistério insondável sem possuir os elementos
da solução? A Coélet, como a Jó, só se pode dar uma resposta mediante a afirmação de uma sanção de além túmulo.
O livro tem um caráter de uma obra de transição. As certezas
tradicionais são abaladas, mas por enquanto nada de seguro as substitui. Nesta encruzilhada do pensamento hebraico, tem-se
procurado discernir as influências estrangeiras que teriam agido sobre Coélet. É preciso recusar as aproximações muitas vezes
propostas com as correntes filosóficas do estoicismo, epicurismo e cinismo, que Coélet teria podido conhecer por intermédio
do Egito helenizado; nenhuma dessas aproximações é convincente, e a mentalidade do autor se distancia muito das dos filósofos
gregos. Têm-se estabelecidos paralelos, mais válidos ao que parece, com certas obras egípcias como o Diálogo do desesperado
com sua alma ou os Cantos do harpista e, mais recentemente, com a literatura mesopotâmica de sabedoria e com a Epopéia de
Gigamesh. Mas não se consegue demonstrar a influência direta de nenhuma dessas obras. Os contatos se dão em temas que são
por vezes muito antigos e que se tinham tornado patrimônio comum da sabedoria oriental. Foi sobre esta herança do passado
que Coélet exerceu sofre reflexão pessoal, como o diz seu editor (12.9).
Coélet era um judeu da Palestina, provavelmente de Jerusalém.
Escreve num hebraico tardio, repleto de aramaísmos e emprega dois termos persas. Isso supõe uma data bastante posterior ao
Exílio, mas anterior ao começo do século II a.C., quando Ben Sirac se servi deste livrinho; com efeito, a paleografia situa
pelo ano de 150 a.C. certos fragmentos de Eclesiastes encontrados nas grutas de Qumrã. O século III é, pois a data de composição
mais verossímil. É o período em que a Palestina, submetia aos Ptolomeus, é atingida pela corrente humanista, sem conhecer
ainda o despertar da fé da esperança que ocorreu no tempo dos Macabeus.
O livro não representa mais do que um momento no progresso
religioso e não deve ser julgado abstraindo daquilo que o precedeu e do que o seguirá. Sublinhando a insuficiência das concepções
antigas e forçando os espíritos a enfrentar os enigmas humanos, abre caminho para uma revelação mais alta. Dá uma lição de
desapego dos bens terrestres e, negando a felicidade dos ricos, prepara o mundo para entender que "bem-aventurado são os pobres"
(Lc 6.20)
O livro de Eclesiastes trás à tona as grandes questões
filosóficas morais, éticas e existenciais. Questões teológicas, como: a prosperidade dos ímpios, a morte comum a todos, materialismo,
fatalismo, pessimismo, dúvidas quanto à eternidade, vida no além e até sobre o juízo final. O livro observa simplesmente a
vida e tira suas conseqüências lógicas. A vida "debaixo do sol", tal como o homem a vê ao redor de si. Reflexões soltas do
autor, sem impor idéias pré-concebidas. Por isso dificil para nós hoje, não habituados a esse tipo de reflexão despretensiosa.
Geralmente não lembramos que são as dúvidas e os questionamentos que nos levam às grandes conclusões e respostas e que com
isso crescemos.
A vida, se é sem Deus, é inútil, absurda, sem objetivo,
vazia, uma realidade triste. Essa talvez seja a grande conclusão a que chegamos das reflexões de Eclesiastes. Se o é, de fato,
então maravilhosamente denuncia um grito parado no homem, por um Deus-Salvador. É o propósito de concluir que "vaidade de
vaidade, tudo é vaidade (1.2). Para chegar a isso, basta arrolar as próprias conclusões do pregador-filósofo. Ela parece dizer
que a vida não é bela, o trabalho é uma mesmice, o prazer a um ponto já não satisfaz, a sabedoria de vida é aniquilada pela
morte. Soma os prós e os contras da vida humana e vê que é melhor morrer! Desilusão! Frustração! Sê realista, se a vida é
apenas isso, toma-a pelo que ela vale, nada mais!", parece dizer o livro. Ou isso reflete a vida desviada de Salomão e de
como um homem pode se tornar vazio de Deus, ou, não é cinismo nem desespero, mas sim a prova da necessidade de Deus em todos
os segmentos da vida humana. Se é a vida do rei aqui retratada, para nós hoje, serve essa lição, que a confiança, o temor
e a quietude de espírito em Deus é o verdadeiro proveito. Desde o matrimônio, a vida familiar, o alimento, o descanso do trabalho,
os amigos, até as vicissitudes, Deus é a fonte de energia e prazer.
Assim, o autor aconselha a que se viva a vida, não como
os epicureus, no "comamos, bebamos, porque amanhã morreremos", mas como um sábio hebreu, no "temor do Senhor". "Sei que tudo
que Deus faz durará eternamente, nada se lhe pode acrescentar e na lhe tirar (3.14).
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